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HUMAN FLOW - NÃO EXISTE LAR SE NÃO HÁ PARA ONDE IR (2017)

O documentário "Human Flow", do cineasta e artista chinês Ai Weiwei, é um filme-denúncia sobre a tragédia dos refugiados, que atinge mais de 65 milhões de pessoas em todo o mundo. O maior deslocamento humano desde a Segunda Guerra Mundial.

Percorrendo 23 países, na Europa, Ásia, África e América, o cineasta mostra a odisseia dos refugiados, fugindo da guerra, da xenofobia e limpeza étnica, do fundamentalismo religioso, da difíceis condições climáticas e da miséria. Desde a travessia perigosa em alto mar, em embarcações superlotadas, até a jornada pelo deserto e em territórios militarizados, milhares de homens, mulheres, crianças e idosos arriscam a vida todos os dias, buscando uma nova chance do outro lado da fronteira. Ai Weiwei também acompanha o trabalho voluntário e governamental junto a essas populações, documentando o cotidiano nos campos de refugiados, onde muitos passam privações e todo tipo de violência e insegurança, sempre tentando manter a dignidade e a esperança.


O cineasta mostra a situação dos refugiados do Iraque e da Síria, em que milhares foram forçados a sair de seu país, após a invasão norte-americana. Aborda a crise na política internacional, em que a maioria dos países fecha suas fronteiras, não dando nem a possibilidade de passagem por seu território para chegar ao país de destino. Poucos são os governos que aceitam receber essas populações. Uma das exceções é a Alemanha, de Angela Merkel, o Líbano e a Grécia. Entretanto, com o fechamento das fronteiras muitos ficam presos no meio do caminho. Cerca de 13 mil esperam a reabertura da fronteira macedônica; 75 mil sírios estão retidos nos arredores da Jordânia; mais de 500 mil curdos foram desalojados; outros tantos milhões esperam sair de regiões de conflito, na Europa Oriental, Ásia e África. 


Esse e outros dramas dos refugiados são vistos de perto, como numa lupa. Apresentando dados jornalísticos extraídos das manchetes dos principais periódicos internacionais, o cineasta Ai Weiwei dá rosto e voz a essas populações. E denuncia a política de exclusão e deportação de vários países que não estão dispostos a respeitar os direitos humanos e cumprir a Convenção da ONU sobre refugiados (1951). E observa: em 1989, quando o Muro de Berlim caiu, sinalizando o fim da Guerra Fria, apenas 11 países tinham as fronteiras cercadas. Em 2016, esse número aumentou para 70. A situação só se agrava, mas as lideranças mundiais não parecem sensíveis ao problema humanitário. Ações xenofóbicas violentas contra os refugiados são cada vez mais frequentes, desalojando e expulsando essas populações. 


Mais que um documentário, o filme é um trabalho de reportagem que coloca em primeiro plano o sofrimento humano, alertando a gravidade da situação. O drama dos refugiados é consequência da crise mundial, que envolve todos nós. Ai Weiwei lança um olhar político, poético e filosófico sobre a condição dos emigrantes, mostrando que a questão precisa ser vista com mais atenção. Como formigas num formigueiro, os seres humanos estão interconectados, como numa cadeia ramificada, da qual todos fazemos parte. E conclui: submeter pessoas a condição permanente de refugiados é uma das piores violências que se pode cometer aos seres humanos. 

Todos deveriam assistir "Human Flow". Mais que um espetáculo cinematográfico, o documentário é um alerta ao mundo. Imperdível.

Elisabete Estumano Freire,




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