TRANSTORNADA, OBSESSIVA, COMPULSIVA (2017)


FILME COM TATÁ WERNECK ABORDA O PROBLEMA DO TOC COM SENSIBILIDADE, SEM PERDER O HUMOR

Dupla de diretores, produtora e elenco participaram de coletiva de imprensa sobre o lançamento do filme que estreia dia 02 de Fevereiro.

“Transtornada, obsessiva, compulsiva,” filme da dupla de diretores Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic, estrelado por Tatá Werneck e Daniel Furlan, aborda o tema do transtorno obsessivo compulsivo (TOC), com muita sensibilidade. O longa, apesar de ser classificado como comédia, é na verdade um drama com momentos de riso, que trata sobre a dor das pessoas e a tentativa ilusória de controlar a vida.

Em coletiva realizada na última quarta-feira (25), o elenco e os diretores falaram com os jornalistas sobre a preocupação de tratar do tema de uma forma suave, com respeito às pessoas diagnosticadas com a doença. No filme, Kika K. (Tatá Werneck) é uma atriz que sofre de transtorno obsessivo compulsivo, um distúrbio psiquiátrico em que o paciente sofre de transtornos gerados por pensamentos compulsivos que resultam em grande ansiedade, causando sofrimento no indivíduo. Pode ser manifestado de várias maneiras, porém  geralmente a pessoa que sofre de TOC apresenta comportamentos obsessivos, desenvolvendo certos “rituais”, como mania excessiva por higiene, perfeccionismo, simetria ou ações compulsivas que repete com regularidade, atendendo a um padrão de regras rígido imposto pela própria pessoa.

Estrela de novelas e campanhas publicitárias, a personagem Kika K. (Werneck) vive um momento conturbado em sua vida pessoal e profissional. Ela, que tem sua vida controlada pela empresária linha dura Carol (Vera Holtz), vive um relacionamento desgastado com um colega de trabalho, o ator Caio Astro (Bruno Gagliasso), e sofre de depressão, nunca sendo levada a sério pela própria família. Tendo que fingir o tempo todo sobre uma felicidade que não possui, Kika é levada a posar como autora de um livro de autoajuda que ela nem mesmo escreveu. Durante o lançamento da obra, a personagem recebe a misteriosa visita do verdadeiro autor, Arthur (Pedro Wagner), que lhe entrega uma mensagem cifrada antes de sumir. Para desvendar este mistério, que povoa seus sonhos apocalípticos, Kika termina percorrendo novos caminhos e fazendo uma viagem de autodescoberta.

O ator Daniel Furlan interpreta Vladimir, um atendente da livraria que irá ajudar Kika a desvendar o enigma do livro. Durante a coletiva, Tatá Werneck revelou que rejeitou inicialmente a ideia de trabalhar com Furlan, pois não conhecia seu trabalho. O fato criou um desconforto logo no início das gravações entre os atores, mas foi rapidamente solucionado, e os dois se tornaram grandes amigos. Num desabafo, Furlan brincou diante dos jornalistas, dizendo que para perdoar Tatá Werneck, só se ela aceitasse que ele jogasse isso na cara da atriz pelo resto da vida, provocando o riso do público que lotava a sala de imprensa.  Apesar das controvérsias, o filme tem ótimas sequências, como a cena do Karaokê e a dança na boite, onde podemos conferir a química entre os dois atores, que souberam interagir bem durante o set.

Outro personagem central na história é Felipão, interpretado por Luis Lobianco, um fã obsessivo e agressivo, que persegue a personagem de Tatá Werneck. O ator falou que ele mesmo já passou por situações complicadas devido ao assédio de alguns fãs, assim como a atriz que revelou já ter tido problemas dessa natureza. O elenco enfatizou a cobrança da mídia e do público de que os artistas estejam sempre disponíveis, sendo muitas vezes agredidos nas redes sociais por apenas tentarem manter um pouco de sua privacidade.

Cheio de situações cômicas, o filme também apresenta o lado dramático de Tatá Werneck, que afirmou ter controlado a quantidade de piadas para focar no conflito da personagem. Segundo a atriz o roteiro é quase uma referência autobiográfica, já que ela se identificou muito com a história da artista que precisa esconder a sua dor, tendo que estar sempre disponível para fazer os outros rirem. Ela informou que acompanhou o sofrimento de alguns amigos diagnosticados com TOC, que passavam por situações constrangedoras e até ríziveis para os outros, mas que mostravam uma situação de dor muito grande para a pessoa que sofria com a doença. Então havia uma necessidade de trabalhar o tema com muito respeito. A atriz revelou ainda que ela mesma já sofreu de TOC na infância, conseguindo se curar com muita terapia.

Segundo os diretores Teodoro Poppovic e Paulinho Caruso, a ideia de fazer humor a partir do drama surgiu do desejo de contar com leveza a história de muitas pessoas diagnosticadas com a doença e, ainda assim, incompreendidas pela sociedade. A edição videoclipada das sequências tenta mostrar a confusão da personagem, através de inserções de imagens mentais, de um cotidiano midiático contemporâneo, com muita poluição visual. Os cineastas também falaram sobre a influência das referências pop das comédias norte-americanas e britânicas, como a do grupo Monty Python, mas sem abrir mão da nossa realidade e do humor brasileiro. O preciosismo com a seleção musical também foi um capítulo à parte, trazendo nostalgia ao drama, com um repertório que dialogasse com as cenas cômicas e românticas, indo de Raul Seixas a Rádio Táxi e Cidade Negra, com músicas das décadas de 1970, 1980 e 1990.

TOC é uma comédia inteligente, que foge do humor besteirol, abordando o drama dos pacientes que sofrem de transtorno obsessivo compulsivo, com humanidade e poesia.  O filme estreia dia 02 de fevereiro nos cinemas.

Elisabete Estumano Freire.


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T.O.C - Transtornada, Obsessiva, Compulsiva (2017)
Duração:  1h36min (comédia)
Direção: Paulinho Caruso,Teodoro Poppovic
Roteiro: Pedro Aguilera, Mauricio Bouzon
Estrelando: Tatá Werneck, Daniel Furlan, Ingrid Guimarães, Bruno Gagliasso, Vera Holtz
Mais informações: IMDB: TOC (2017)

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